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terça-feira, janeiro 20, 2015

CHRISTINE LAGARDE


Será que a Christine Lagarde é uma mulher tão horrorosa como parece, dura e fria, qual mulher-gelo que segue seu imperturbável curso, sem mover um fio de cabelo ou fazer estremecer uma ruga, enquanto de um e de outro lado morrem velhinhos e choram criancinhas, à míngua? Ou é um preconceito machista - uma ideia de "gajo" que se sente incomodado por ver uma mulher em tal posto?
Que morrem velhinhos e choram criancinhas, morrem e choram.
Eu próprio choro, às vezes [o que não prova que seja uma criancinha, nem prova que não seja já um velhinho.]
Detesto Merkle, e vejo com maus olhos Lagarde.
Será que são bruxas?
Ou será que sou machista?

sexta-feira, maio 11, 2012

A VIDA LÁ DE CIMA VISTA CÁ DE BAIXO

E é inevitável: assalta-me uma imensa tristeza quando penso na possibilidade de que, neste momento de crise e solidariedade nacionais, também Cristiano Ronaldo ou Tony Carreira possam perder o subsídio de férias e o de Natal.

sábado, junho 11, 2011

DICAS

No telejornal de ontem, José Alberto de Carvalho, com um fato engelhado, que se adaptava mal à sua postura de quem pede desculpa, falou-nos acerca de um imigrante astucioso que, pelo Norte acima ou abaixo, foi visitando diversas caixas multibanco: tinha um sistema de «clonagem» de cartões, que lhe possibilitou arrecadar uma quantia razoável. (Suponho que o que o senhor fazia era ajustar aos "multibancos" um dispositivo que lia o código do último cartão utilizado, de forma a que pudesse usá-lo a seguir).

O jornalista rematava a notícia dizendo que ia dar aos telespectadores algumas «dicas» (sim, juraria que empregou este termo), algumas «dicas para...»

Abri os ouvidos.

«... ensinar o que nunca se deve fazer, por forma a evitar ser vítima de...»

Suspirei. Que pena. Por um momento, cheguei a pensar que nos ia fornecer umas «dicas» para podermos clonar cartões...

sexta-feira, abril 15, 2011

O COCÓ

Considero no mínimo curioso que se refira o socialismo e o comunismo como sendo relíquias teóricas do passado, ideários delirantes e obsoletos. A questão é que essas teorias - por muito que tenham falhado na prática - representam a busca de uma alternativa a um sistema, esse sim, sem qualquer vestígio de ética ou solidariedade, injusto, cruel e ineficaz: rompe por muitos lados mas não cai, alimenta-se de crises que sugam e definham tudo e todos em redor - menos a minoria que enriquece - mas sobrevive-lhes, aplaina pelo nível mais baixo, e chama a essa igualdade sem aspirações «democracia». É um dinossauro tétrico, uma planta carnívora sem sequer graciosidade, é a invasão dos telemóveis, das pipocas e das coca-colas no cinema. É a falta de respeito. É o Obama, a Merkl, o Sócrates e o ex-marido de uma Doce. É - desculpem - esta merda! E ainda se atrevem a dizer, acerca do sonho da mudança: Isso é coisa do passado! Isso é caquético.

sábado, março 05, 2011

LIBERTAR DIONÍSIO

O que é politicamente correcto, oh minhas duas seguidoras e alguns leitores avulso, o que é politicamente correcto é dizer que se não gosta do carnaval. Que se odeia o carnaval. E as máscaras, e as brincadeiras idiotas, a indisciplina invadindo e corroendo, que nojo!

Esperando não perder, com isto, as minhas duas seguidoras e os leitores avulso, amo o carnaval. Amo a própria ideia da partida e do logro, amo a euforia e a permissividade que nos permitem recarregar baterias, amo a libertação do lado dionisíaco, amo poder mascarar-me e não ser reconhecido. E até penso que é delicioso que não dure mais do que os três míseros dias que dura - porque, se não, não se constituiria como o contraste que é: em relação às regras do dia-a-dia.

Mais do que isto tudo, considero o carnaval absolutamente essencial ao equilíbrio social. Sim: é o pontual e brevíssimo desequilíbrio indispensável ao equilíbrio da sociedade. E, para terminar: na minha perspectiva, foi o «caso carnaval» que deitou abaixo, há anos já, o governo do senhor doutor Aníbal Cavaco Silva.

domingo, janeiro 23, 2011

SOLIDARIEDADE E OUTRAS FANTASIAS

Hoje, almoçando com Dudú e Daisy no infame OP, tive o privilégio de ouvir o puto recordar uma história que eu lhe contava na infância, ou na adolescência, com pormenores da sua reacção (e da minha reacção à sua reacção) de que me tinha esquecido por completo.

Era uma série de aventuras. Chamava-se Os Moranguinhos. E as personagens, ou seja, «os moranguinhos», eram o próprio Dudú e alguns amigos da altura (o Francisco Quico, o Pedro Loureiro, o Tomás, de que me recorde...), os quais enfrentavam malvados do piorio, conseguindo vencê-los de uma forma gloriosa.

Mas numa dada época, relembra-me o Dudú, ele principiava a achar o dinheiro muito importante. Devíamos andar a chamar-lhe a atenção para que as coisas que ele queria eram caras, os pais não eram ricos, o consumismo é mau. Devíamos andar a contê-lo na sua fúria gastadora, no seu Compra, compra, compra. E - continuou o miúdo -, numa certa história, os fulanos malvados teriam colocado uma bomba algures no ventre de um centro comercial. Ora os especialistas da polícia, aflitos, não sabiam se haviam de cortar o fio amarelo ou o fio vermelho. [A pergunta não é: Onde é que eu já vi isto?; mas: Onde raio é que ainda não vi isto?]. E, em desespero de causa, telefonaram para os moranguinhos, perguntando-lhes que fio deviam cortar. Lembra-me Dudú que, na ocasião, me interrompeu, para dizer: «Eu acho que os moranguinhos deviam propôr isto: só damos a resposta se vocês nos pagarem um milhão de escudos!»

Dudú contou da minha indignação, da minha fúria, das minhas explicações de cariz pedagógico e moral, «Então estão pessoas na iminência de uma tragédia, poderia morrer muita gente, e os heróicos moranguinhos só ajudavam se lhes pagassem?!»

Rimos muito os dois, a recordar. Não quero parecer cínico (e, juro, não lhe disse hoje uma palavra politicamente incorrecta). Mas na altura do passado em que lhe pespeguei a lição de moral, estava longe de imaginar o rumo que a crise tomaria, e o tipo de país em que acabaríamos, com o próprio governo tentando resolver o problema à custa de um roubo descarado aos funcionários públicos. Agora, neste mundo do salve-se quem puder, sem valores nem princípios, em que Fernando Nobre troca o papel de herói generoso pelo de candidato foleiro à presidência, teria de pensar várias vezes antes de decidir o que os moranguinhos deveriam realmente fazer. Hum! Desculpem, não torno! Pronto. Já me calei, já me calei!

domingo, junho 27, 2010

QUASE TUDO PODE SER UM BOM MOTIVO DE OPTIMISMO

Levo o lixo para reciclar.
Observo que a caixa em que transporto as garrafas (de cerveja e de vinho, principalmente) pesa menos do que aquela em que levo o papel.
Presumo que seja um bom sinal.