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sexta-feira, outubro 12, 2012

EDUCAÇÃO SEXUAL

Como professor, observo que, ao contrário do que tendemos a esperar, os jovens são razoavelmente ignorantes em matéria de sexo.
Pensavam que eles sabiam tudo? Seguramente mais do que os adultos? Que faz sentido o preconceito segundo o qual «parece que já nascem ensinados»? Ora. Patranhas.

Qualquer sondagem entre os mais novos revela que estes acreditam que, por exemplo, se o coito for praticado de pé, não decorrerá daí qualquer gravidez; há os que asseveram que, «na primeira vez», não se engravida.
Ainda bem que existem, afinal, adultos que os instruam. [Teoricamente, como é evidente].
Vejamos o meu caso. Nos meus cinquenta e tal (mas o "tal" permanece um segredo de Estado) não me sobram já quaisquer preconceitos. Sei perfeitamente que se engravida sempre. Em qualquer situação. Seja qual for a posição. Mesmo de se encostarem os pés frios a pés frios, sob os lençóis, podem nascer crianças. Podem nascer? Nascem de certeza! Engravida-se nem que a vagina se mantenha intocada. Mãos, língua, ânus, nariz, para efeitos de engravidamento vai dar tudo ao mesmo...

E sei que se engravida, portanto, ainda que o sexo se pratique por via das orelhas.
Ou não conheciam a expressão "emprenhar pelos ouvidos"?

Essa particular gravidez, se não me engano, designa-se "otite".

terça-feira, abril 17, 2012

SOCIOLOGIA DA ENTOAÇÃO

Sou professor de adolescentes de ambos os sexos.
Sou pai de um jovem de dezasseis anos ingratos e difíceis. [Não «ingratos» para ele, mas porque é um rapaz pouco agradecido]. E de uma menina de seis anos.
Com a experiência que tenho, pois, na relação com rapazes e raparigas, vou conhecendo as suas maneiras de entoar as palavras.
Porque, é curioso, os jovens "falam" de uma forma típica, com uma musicalidade que a distingue da maneira de falar dos adultos.
Porque, é curioso, reparem como, em consequência dessa entoação, eles tendem a eliminar os "o" finais. Não dizem "consigo" mas "consigue", não dizem "pronto" mas "pronte", não dizem "cinzeiro" mas "cinzeire".
Porque, é curioso, nessa entoação, ou nessa expressiva forma de cantar o que se quer dizer, os rapazes são diferentes das raparigas: há uma música de miúda [que já começo a captar na minha filha, que não sendo ainda adolescente, mesmo assim, aos seis anos, já principia a entoar de uma certa maneira: com aquela espécie de arrogância que reside inteiramente no modo de falar, mais do que no conteúdo do discurso...], bem como há uma música de rapagão, mais seca - arrogante também, mas de um outro modo.
Temo que tudo isto se perca: não há registos, nem gravações, nem estudos feitos com esse objectivo; não existem comparações nem uma anotação de mudanças ao longo das idades dos putos e ao longo da vida da sociedade. Há tanto trabalho sobre a música popular, e nada sobre o cantar com que os jovens 1: falam uns com os outros, 2: falam com os pais, 3: falam com os professores.
Pelo que proponho a criação de uma nova esfera da sociologia: uma sociologia da entoação.
Tenciono ser o pioneiro desse conhecimento.
Guardem um prémio Nobel para daqui a quinze anos...

domingo, dezembro 19, 2010

O MEU CONTRIBUTO PARA A CIÊNCIA

E se o daltonismo se resumisse a um problema lexical? Não tanto o não distinguir as cores, mas não saber distinguir entre os nomes das cores?