quarta-feira, julho 22, 2009

UM TEXTO QUE POUCO SERVE E NADA TRAZ. PARA QUE CONSTE

Como o meu computador apanhou certa virose cujo efeito, que eu veja, consiste unicamente em que os acentos das palavras caem fora das palavras, estou a tentar o desafio de escrever um texto que evite todos os acentos. Se repararem bem, os acentos foram total e sabiamente evitados neste texto. Se eu fosse mais moderno e escrevesse de acordo com o Novo Acordo, suspeito que mais facilmente, ainda, conseguiria escolher palavras sem acentos. Reparem que, de acordo com o Novo Acordo, nem, por exemplo, o termo «cagado» se acentua, ficando-se no entanto na incerteza, caso eu escrevesse «vejo o cagado debaixo da cadeira», acerca do referente da palavra utilizada: estaria a referir-me a um animal, de casa sobre o dorso, oculto sob a cadeira, ou teria acabado de descobrir, sob a mesma cadeira, o produto de um animal irracional - ou de uma pessoa tornada irracional por dar com o wc ocupado? Mas para prescindir mesmo de acentos, melhor do que escrever de acordo com o Novo Acordo, seria escrever de acordo com a senhora dona margarida moreira, que penso que saibam quem seja, e tenho notado tratar-se de uma mulher de tal forma independente, que depende muito, muito, muito pouco do que a escrita portuguesa em geral determina ou aconselha...
Certo, este texto deixa um bocado a desejar. Falta-lhe, porventura, profundidade. Ou interesse. O seu motivo parece fraco. Em todo o caso, como desafio, tem graça. Pouca, mas, enfim, alguma: conseguimos escrever um texto longo - e, chegados aqui, o desafio pode dar-se por vencido: quem escreveu estas inanidades, poderia certamente escrever mais trezentas e cinquenta posts assim... - sem precisar de um acento que fosse.
Isto consola-me um pouco. Porque, a verdade, resume-se a isto: estou furioso!

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